O que é educação liberal?

De Lucas Mafaldo 

Abril 21st, 2007

Quando se fala em educação liberal em um sentido mais estrito, geralmente estamos nos referindo ao ideal de educação popularizado nos Estados Unidos por Mortimer J. Adler. A educação liberal americana, no entanto, foi apenas um elo em uma cadeia que a antecede em muitos séculos. Séculos atrás, as universidades inglesas já tinham como objetivo a formação do “gentleman”, do homem culto, capaz de circular livremente pelas discussões intelectuais; e o próprio termo “educação liberal” está impregnado de raízes ainda mais antigas: as artes liberais da idade média.

As artes liberais formavam a base do ensino medieval, pois consistiam nas disciplinas que davam aos alunos os instrumentos intelectuais necessários para apreender e dominar todos os demais temas de ensino e discussão. Elas consistiam em sete disciplinas que se abrigavam em dois grupos distintos: o trivium (as artes da linguagem) e o quadrivium (as artes dos números). As disciplinas do trivium eram gramática, retórica e dialética ou lógica; enquanto as disciplinas do quadrivium eram matemática, geometria, música e astronomia ou astrologia. Todas estas disciplinas, no entanto, embora tenham sido sistematizadas somente na Idade Média, possuem uma história ainda mais antiga, que remonta à antiguidade grega.

Em um sentido mais abrangente, portanto, poderíamos dizer que a educação liberal é a idéia geral de um ideal de educação que possuiu diferentes manifestações particulares ao longo da história: desde o tempo dos gregos antigos até às modernas universidades européias e americanas. Mas isto ainda não responde à questão do título: quais as características gerais que podemos encontrar em todas estas manifestações particulares?

A primeira característica da educação liberal é sua natureza anti-utilitarista. No ensino utilitarista, o conhecimento não tem valor em si próprio, mas apenas na medida em que serve para um fim externo: é a educação para formar técnicos aptos a exercer certos papéis na sociedade. Este tipo de ensino certamente é necessário para a vida em sociedade, e não faz o menor sentido querer prescindir dele. No entanto, não podemos colocá-lo como a única finalidade do processo educativo porque o ser humano possui vários aspectos que transcendem a sua ocupação profissional e que devem ser cultivados pela educação.
É verdade que a profissão de um homem é uma parte importantíssima do que ele é; ou seja, de certo modo, o homem é mesmo aquilo que ele faz. Mas, por outro lado, o homem não é apenas aquilo que ele faz, pois ele possui dimensões que não estão contempladas na vida profissional.

Uma segunda característica da educação liberal é que ela não se limita à transmissão de informações. Informações são apenas dados pontuais, pedaços de conhecimento dispersos. Em todos os modos que a educação liberal assumiu ao longo da história, o foco jamais foi na simples aquisição de informações, mas sim, na capacidade de organizar o conhecimento: ou seja, de analisar e sintetizar as informações recebidas, criando uma concepção integrada e hierarquizada do quê se está estudando.

A educação liberal, neste sentido, possui o efeito inverso do estímulo midiático: enquanto os meios de comunicação nos inundam de informações, misturando coisas de valores totalmente distintos e impedindo qualquer discussão em profundidade, a educação liberal consiste em afastar-se deste caos para perceber claramente as relações entre cada coisa e o sentido de cada informação.

Uma terceira característica essencial é que ela é centrada na formação da consciência individual e, por isso, é o único modelo realmente não-ideológico de formação intelectual. O papel da educação é ensinar ao aluno como pensar, e não o quê pensar; o professor mostra o caminho e os instrumentos, e cabe ao aluno continuar o processo.

No século XX, vimos muitos teóricos esquerdistas criticarem as ideologias que permeavam os sistemas tradicionais de ensino; mas agora, no século XXI, e principalmente em nosso país, vemos como a esquerda foi hábil em ocupar os centros de formação e transmissão cultural, com uma força até então inédita, para difundir sua própria visão de mundo. Ou seja, aqueles mesmos que gritavam pela liberdade no ensino, foram os que acrescentaram seus próprios grilhões aos estudantes.

A educação liberal é a única que não cai nessa armadilha, pois ela não busca dizer ao aluno o que ele deve pensar, mas sim, estimulá-lo a pensar por conta própria. O professor não está ali para expor sua visão de mundo, mas sim, para ajudar o aluno a cultivar sua própria mente.

Uma quarta característica da educação liberal é que, embora ela seja voltada para o indivíduo, ela não fecha o aluno em uma visão solipsista do mundo; ou seja, ela não cai no erro de alguns teóricos que chegam a abolir qualquer noção de verdade objetiva.

Os autores que seguem esta linha afirmam que qualquer manifestação subjetiva possui “sua verdade”, enquanto os conhecimentos tradicionais não são mais que “convenções sociais”. O problema desta linha de pensamento é que, em última instância, elas prejudicam seriamente os alunos, pois os impossibilitam de adquirir uma formação cultural que poderia beneficiar muito suas vidas. Pensam desse modo os professores de português que acreditam que o aluno da periferia tem “a sua língua” e não precisa ser ensinado o português de Machado de Assis. Ora, ao fazer isso, o professor está condenando o aluno a jamais adquirir um domínio lingüístico e uma base cultural que o permitiria alcançar uma compreensão muito mais profunda de sua vida. Ou seja, com o pretexto de ajudá-lo, o professor está na verdade excluindo o aluno da vida intelectual.

Por isso, a educação liberal é o exato oposto deste modelo que valoriza apenas as expressões subjetivas, pois ela não tem como objetivo fechar o aluno em si mesmo, mas sim, pelo contrário, abrir sua mente às influências de todas as culturas e de todas as épocas.

Disto, aliás, decorre uma quinta característica da educação liberal: ela é o ideal de educação que retira o sujeito das vagas da atualidade e o permite enxergar além do instante imediato. Todo cultura tende ao cronocentrismo: a julgar todas as épocas a partir do próprio tempo, ou seja, partindo do pressuposto que estamos no topo de uma evolução histórica de onde podemos julgar e condenar todas as demais culturas. No entanto, é neste momento, quando o sujeito contemporâneo se imagina no máximo de sua potência, que ele revela sua maior fraqueza: julgando tudo a partir do seu tempo, ele é incapaz de julgar a si mesmo, pois toma como critério absoluto os preconceitos de sua própria época.

O estudante que recebeu uma educação liberal se liberta desta limitação; pois, ao conhecer diretamente o pensamento de outras épocas, pode usá-lo para julgar a pertinência dos pressupostos do seu próprio tempo. Deste modo, o aluno adquire critérios mais seguros para julgar o que há de valioso, seja no presente ou no passado, sem deixar-se levar pelas modas passageiras.

Nesta linha de raciocínio, chegamos à sexta e última característica essencial da educação liberal: nela se trata sempre de fazer com o que o estudante participe da “grande conversação”, para usarmos o termo de Adler. Mas, o que significa isso?

Adler cunhou este termo para expressar algo que todos podemos observar facilmente: o mundo está repleto de opiniões; a cada esquina, podemos encontrar alguém discorrendo sobre política, economia, religião, literatura, etc. Além disto, multiplicam-se as publicações: livros, revistas e jornais – sem falar nos milhões de sites que surgem diariamente na internet. A quantidade de informações há muito passou do excessivo: quando há tanta coisa sendo dita, em quê devemos prestar atenção?

Ora, podemos ver facilmente que nem todas estas opiniões têm o mesmo valor. Muitos dos debatedores de esquina nem mesmo se lembrarão de suas próprias opiniões em um ano. Muitos dos livros, revistas, jornais e sites que hoje são badalados, serão completamente esquecidos em alguns anos – talvez meses. Por outro lado, existem certas opiniões que resistem ao teste do tempo; passam-se anos, séculos, e até milênios, e elas continuam sendo relevantes nas discussões da atualidade. É este conjunto de opiniões que paira acima dos debates culturais de cada época que Adler chama de “grande conversação”.

A grande conversação ao mesmo tempo é tanto o alimento como o produto das grandes mentes da história. Estas opiniões persistem ao longo das épocas porque são justamente as mais valiosas que cada tempo produziu; e, por serem as mais valiosas, são elas justamente que serão consideradas pelas grandes mentes de cada época. St. Tomás não perdia seu tempo batendo boca nas esquinas, pois ele sabia que poderia encontrar uma fonte muita valiosa na leitura de Aristóteles. E o próprio Aristóteles, por sua vez, não perdia seu tempo discutindo com qualquer um, mas preferia analisar com cuidado as opiniões que lhe chegaram dos grandes mestres do passado.

Cada grande pensador, portanto, se afasta dos modismos do seu tempo para discutir com os grandes mestres do passado; deste modo, cria-se uma tradição auto-referente, onde o mais novo participante da discussão procura primeiro inteirar-se do que foi dito anteriormente, para depois oferecer sua própria contribuição. Se esta nova contribuição se mostrar sendo muito valiosa, ela também resistirá à passagem do tempo, e irá se integrar como mais um capítulo nesta grande conversação.

A idéia de uma grande conversação coloca o excesso de informação do nosso tempo em nova perspectiva: de tudo o que está sendo dito, o que tem realmente um valor intrínseco e o que é apenas modismo passageiro? O que irá permanecer e o que será logo esquecido? Fazendo estas perguntas, logo percebemos que, mais importante que absorver um grande número de informações, é preciso aprender a separar o relevante do irrelevante; e, percebemos também, que uma opinião será tanto mais relevante quanto seu defensor estiver consciente da evolução dos debates da grande conversação. A conclusão necessária, portanto, é que antes de procurar adquirir informações, deveríamos buscar adquirir uma educação liberal que, nos inteirando dos debates da grande conversação, nos tornaria aptos a julgar adequadamente os debates da atualidade.

Por ser uma educação voltada para a grande conversação, a educação liberal é necessariamente uma educação voltada para a leitura dos grandes livros. Já estamos muito distantes do tempo de Platão, onde havia uma rica tradição oral através da qual podíamos nos inteirar das grandes opiniões do passado. Atualmente, grande parte desta tradição está perdida, mesmo entre aqueles que profissionalmente deveriam resguardá-la. Portanto, a educação liberal é, no nosso tempo, necessariamente uma educação através dos livros – não de quaisquer livros, mas apenas daqueles que foram escritos pelos melhores da nossa história.

Com isso, acredito, podemos ter uma boa idéia do que seja a essência de uma educação liberal: (i) ela é uma educação não-profissionalizante, que busca uma formação integral do homem; (ii) ela não tem como objetivo a aquisição de informações pontuais, mas sim, de desenvolver a capacidade do aluno em raciocinar e organizar de forma independente as informações que recebe; (iii) ela não se volta para a formação em massa, para a difusão de uma visão de mundo, mas para que cada aluno cultive a própria consciência individual; (iv) a educação liberal é o exato oposto do subjetivismo que ameaça fechar cada sujeito em si mesmo, pois seu objetivo é abrir a alma do aluno às influências universais; (v) a educação liberal resgata o sujeito do imediatismo e permite que ele julgue a sua própria cultura a partir das aquisições culturais de outras épocas; (vi) o aluno que recebe uma educação liberal se torna um espectador consciente da grande conversação, o verdadeiro debate intelectual que atravessa a história do Ocidente.

Ora, com isso, podemos perceber claramente que no Brasil jamais existiu de forma consistente uma educação liberal. O ensino brasileiro é, na melhor das hipóteses, meramente profissionalizante, quando não recai simplesmente na doutrinação ideológica rasteira. Os alunos jamais são ensinados a absorver e organizar conhecimentos, mas são apenas expostos a uma enxurrada ainda maior de informações, favorecendo ainda mais a dispersão intelectual já fomentada pelos meios de comunicação. Por fim, os alunos se limitam a adquirir os preconceitos dos professores, julgando toda a história do pensamento ocidental segundo a visão atual acadêmica – ou seja, ao invés de participar da grande conversação, adquirem uma série de preconceitos que os tornarão eternamente impermeáveis a ela.

Acredito que quem tiver me acompanhado nesta exposição, concordará comigo de que não há tarefa mais urgente e importante para o nosso país do que criar em nossa sociedade focos de educação liberal para revitalizar os nossos debates intelectuais – uma tarefa que talvez seja tão difícil quanto necessária; e, por isso mesmo, digna de nossos melhores esforços.

 

Fonte: http://www.lucasmafaldo.contracorrente.com.br/index.php/o-que-e-educacao-liberal/

Publicado em: on Maio 25, 2007 at 11:33 pm Comentários (7)

A Filosofia Clássica contra o clima geral de Opinião(Eric Voegelin)

 

O esforço dos Gregos em chegarem a um entendimento de sua humanidade culminou na criação Platônica-Aristotélica da filosofia como ciência da natureza humana. Seus resultados se encontram ainda mais em contradição com a opinião geral contemporânea do que com os  sofistas de seu tempo. Irei enumerar alguns dos principais pontos de conflito:

1)                        Clássicos:Existe uma natureza humana, uma estrutura definida da existência que coloca limites na capacidade de aperfeiçoamento do ser humano. Modernos: A natureza humana pode ser mudada, seja através da evolução histórica ou através da ação revolucionária, fazendo com que um reinado da perfeita liberdade possa ser estabelecido na história.

2)                        Clássicos: A Filosofia é o projeto de se avançar da opinião(doxa) sobre a ordem humana e a sociedade para a ciência(episteme); o filósofo não é uma amante da opinião. Modernos: Nenhuma ciência sobre tais assuntos é possível, somente opinião; todo mundo tem direito a suas opiniões; vivemos em uma sociedade “pluralista”.

3)                        Clássicos: A sociedade é o homem escrito por extenso. Modernos: O homem é a sociedade escrita diminutamente.

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Publicado em: on Abril 2, 2007 at 1:45 pm Comentários (4)

Capítulo 1 – O Sentimento não sentimental (Ideas Have Consequences, Richard Weaver).

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Capítulo 1 – O Sentimento não sentimental (Ideas Have Consequences, Richard Weaver). 

   

         Todo homem que participa de uma cultura têm três níveis de reflexão consciente: suas idéias específicas sobre as coisas, suas crenças gerais e convicções e seu sonho metafísico sobre o mundo.

 

O primeiro são os pensamentos que ele utiliza em sua vida cotidiana; eles dirigem sua organização dos assuntos imediatos e constituem portanto sua mundanidade.  É possível viver unicamente neste nível em períodos limitados, apesar de que a mundanidade pura deva inevitavelmente gerar desamornia e conflito.

 

Acima disto se encontra seu corpo de crenças, algumas das quais podem ser somente heranças, mas também outras que ele adquiriu através sua reflexão ordinária. Até as almas mais simples definem algumas concepções rudimentares sobre o mundo, as quais ele repetidamente utiliza assim que escolhas sejam necessárias. Mas este nível também depende de algo mais geral.

 

Acima de tudo está um sentimento intuitivo sobre a natureza imanente da realidade e é  esta sanção que valida em última instância as idéias e crenças. Sem o sonho metafísico é impossível pensar nos homens vivendo juntos harmoniosamente por algum período de tempo. O sonho carrega consigo um julgamento, que é que é o elo da comunhão espiritual.

 

Quando dizemos que a filosofia começa com o espanto, estamos afirmando na verdade que o sentimento é anterior a razão. Não focamos nossa razão sobre nada até que tenhamos sido atraídos por um interesse afetivo. Na vida cultural do homem, portanto, o fato de maior importância sobre qualquer um é sua atitude para com o mundo. Quão freqüentemente nos chamam a atenção para o fato de que nada de bom pode ser feito quando a intenção é errada! A razão não pode justificar a si mesma. Não por acaso o diabo já foi chamado de príncipe dos advogados, e também não por acidente são os vilões de Shakespeare excelentes no raciocínio. Se a intenção é errônea, a razão aumenta a malignidade, se está certa a razão organiza e faz avançar o bem.  Não temos autoridade alguma para argumentar sobre qualquer coisa de natureza política e social a não ser que tenhamos demonstrando por nossa volição primária que aprovamos alguns aspectos do mundo existente. A posição é arbitrária, no sentido de que aqui está uma proposição por trás de qual não existe nada anterior. Começamos nossas outras afirmações após uma declaração categórica de que a vida e o mundo devem ser valorizados.

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Publicado em: on at 1:07 pm Comentários (1)

A Crise na Educação Contemporânea

Por Mortimer J. Adler, Ph.D.

 

 

Primeira Parte

 

A crise é um momento decisivo. Na pneumonia, é o ponto no qual o paciente pode melhorar ou piorar. Mas a presente crise na educação é diferente. As coisas não podem ficar piores. Elas podem somente melhorar. Nós temos alcançado um dos extremos no balanço do pêndulo. A educação progressista, em todas as suas formas, foi uma saudável e genuína reação contra a extrema aridez e vazio formalismo da educação clássica, que tinha alcançado o limite de sua própria degradação no final do último século. Infelizmente, como sempre, a reação foi muito longe. O extremo oposto nos tem dado um programa educacional que é igualmente absurdo, embora por diferentes razões. O professor Dewey em pessoa tem ultimamente avaliado os excessos de alguns de seus supostos seguidores. O que é obviamente indicado, para evitar uma falsa saída que ofereça uma escolha entre indesejáveis extremos, é uma posição moderada, uma que concordasse com a posição progressista corrigindo os abusos do programa clássico, mas que retificasse esta mesma educação progressista pela retenção de tudo o que era essencialmente correto na aproximação clássica. Se uma surgiu para remediar abusos, deveria lembrar que está fazendo isso justamente porque alguma coisa boa tem sido estragada. O problema com a maioria das reformas é que elas iniciam removendo falhas e terminam jogando fora o bom juntamente com o ruim. Devemos eliminar os presentes excessos da educação progressista sem descartar o discernimento básico que motivou o movimento.

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Publicado em: on Março 31, 2007 at 7:25 pm Comentários (2)

Porque a filosofia é negócio de todos

por Mortimer Adler, Ph.D.

Tradução: Caio Fonseca

 

Alguém pode ser um ser humano culto sem ser versado neste ou naquele campo especializado de ciência empírica. Tal conhecimento pertence ao especialista, não ao generalista. Mas alguém não pode ser um ser um ser humano culto sem saber a história da ciência e sem ter algum conhecimento filosófico de ciência. Tornar-se um ser humano culto também envolve alguma compreensão da história da história e da filosofia, e algum entendimento da filosofia da história e da filosofia. Esta é uma razão pelas quais digo que a filosofia é negócio de todos.

 

Não é qualquer um que é chamado a ser advogado, médico, contador, ou engenheiro; por sua vez, não é qualquer um também que é chamado a se engajar em algum campo de pesquisa histórica ou pesquisa científica. Mas qualquer um é chamado a filosofar; indivíduos pensantes, saibam eles ou não, tem alguns traços de percepção ou análise filosófica em seus momentos de reflexão. Ser refletivo sobre a experiência de alguém ou sobre o que os seres humanos chamam de senso comum é ser filosófico sobre isto.

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Publicado em: on Março 6, 2007 at 1:32 pm Comentários (1)

Idéias tem Conseqüências

 

Por Richard M.Weaver 

Tradução: Murilo Resende Ferreira

Introdução 

Este é mais um livro sobre o declínio do Ocidente. Tento aqui realizar duas coisas raramente encontradas na crescente literatura sobre o tema. Primeiramente, apresentarei um relato deste declínio baseado na dedução e não em analogias. Os pressupostos são a inteligibilidade do mundo e a liberdade humana e por isso considero que as conseqüências que estamos agora expiando são produtos não de uma necessidade biológica ou de qualquer outro tipo, mas sim de escolhas pouco inteligentes. Secundariamente, serei ousado o suficiente para propor, senão uma solução completa, pelo menos o começo de uma, pois acredito que um homem não deve permitir que um atestado de impotência moral seja o complemento de uma análise científica.

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Publicado em: on Março 4, 2007 at 7:15 pm Comentários (3)

Educação Liberal

Palestra de Olavo de Carvalho
Rio de Janeiro, 18 de Outubro de 2001
Transcrição: Fernando Antônio de Araújo Carneiro
Revisão: Patrícia Carlos de Andrade

Sem revisão do professor 

Fonte: http://www.olavodecarvalho.org/palestras/2001educacaoliberal.htm#r4

Agradeço comovido as palavras do deputado Carlos Dias e da minha querida amiga Mina Seinfeld 1. E, aliás, essa é não somente uma oportunidade para ela falar a meu respeito, mas para contar também algumas coisas a respeito dela. A professora Mina está envolvida numa luta que é paralela à minha, onde encontra condições muito parecidas. Nós dois estamos envolvidos na luta contra as drogas, apenas a espécie de droga é que muda: sobre as drogas de que ela trata, ainda há a discussão de se serão liberadas ou não, ao passo que as drogas de que falo, não apenas estão liberadas, como são obrigatórias. A diferença é mais ou menos esta. Mas, neste esforço monumental e meritório da professora Mina, ela encontra a mesma resistência que encontro na minha área, porque todos estão contra: os drogados, os traficantes, os que têm interesse político na coisa, os indiferentes e todos aqueles que querem parecer bonzinhos – todos os politicamente corretos. E, de fato, quando você vai para um debate é exatamente como ela descreveu: são trinta pessoas para falar a favor e uma contra e depois, na transcrição, ainda cortam umas frases do que a pessoa falou e ficam lá somente três linhas, para provar que o debate foi bastante democrático. Isto é pior do que não ter debate nenhum, é uma falsificação.

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Tradição e Inovação em Educação

Por Mortimer Adler

Tradução: David

Original em inglês em: http://radicalacademy.com/adlertraditionineducation.htm

Um problema mal colocado leva a falsas ou radicais soluções. É importante, então, corrigir a impressão de que o problema na educação americana hoje está em escolher entre a educação clássica ou a progressista. Ambos os nomes significam indesejáveis extremos que tem exagerado e distorcido alguns saudáveis elementos da política educacional. Classicismo designa o árido e vazio formalismo que dominou a educação no final do último século. Ele enfatizava o estudo dos clássicos por razões históricas ou filosóficas. Estava interessado no passado por causa do passado. Confundia exercícios com disciplina. Contra tal classicismo, a reação que aconteceu foi genuinamente motivada e sadia em princípio. Mas ela foi muito longe, e hoje nós temos um igualmente desafortunado extremo que, em suas múltiplas formas, é chamado de educação progressista. A educação progressiva se tornou tão ridícula quanto a educação clássica era árida. É tão ocupada com o estudo do mundo contemporâneo que esquece que a cultura humana tem raízes tradicionais. Substituiu informação por entendimento, e ciência por sabedoria. Confundiu licenciosidade com liberdade, pois é isso que a liberdade se torna quando não é acompanhada pela disciplina.Se reconhecermos que a divergência entre estes extremos é falsa, nós podemos evitá-lo procurando o meio-termo, pela formulação de um programa moderado que retorne a tudo que era vital no sistema de educação clássica e que também retenha tudo o que seja educacionalmente saudável no vigoroso pragmatismo do movimento progressista. Essa resolução pode ser alcançada pela combinação dos dois fatores, a tradição e a inovação, na correta proporção e ordem.
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Publicado em: on at 2:35 pm Deixe um comentário