A Crise na Educação Contemporânea

Por Mortimer J. Adler, Ph.D.

 

 

Primeira Parte

 

A crise é um momento decisivo. Na pneumonia, é o ponto no qual o paciente pode melhorar ou piorar. Mas a presente crise na educação é diferente. As coisas não podem ficar piores. Elas podem somente melhorar. Nós temos alcançado um dos extremos no balanço do pêndulo. A educação progressista, em todas as suas formas, foi uma saudável e genuína reação contra a extrema aridez e vazio formalismo da educação clássica, que tinha alcançado o limite de sua própria degradação no final do último século. Infelizmente, como sempre, a reação foi muito longe. O extremo oposto nos tem dado um programa educacional que é igualmente absurdo, embora por diferentes razões. O professor Dewey em pessoa tem ultimamente avaliado os excessos de alguns de seus supostos seguidores. O que é obviamente indicado, para evitar uma falsa saída que ofereça uma escolha entre indesejáveis extremos, é uma posição moderada, uma que concordasse com a posição progressista corrigindo os abusos do programa clássico, mas que retificasse esta mesma educação progressista pela retenção de tudo o que era essencialmente correto na aproximação clássica. Se uma surgiu para remediar abusos, deveria lembrar que está fazendo isso justamente porque alguma coisa boa tem sido estragada. O problema com a maioria das reformas é que elas iniciam removendo falhas e terminam jogando fora o bom juntamente com o ruim. Devemos eliminar os presentes excessos da educação progressista sem descartar o discernimento básico que motivou o movimento.

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Publicado em:  on Março 31, 2007 at 7:25 pm Comentários (2)

Porque a filosofia é negócio de todos

por Mortimer Adler, Ph.D.

Tradução: Caio Fonseca

 

Alguém pode ser um ser humano culto sem ser versado neste ou naquele campo especializado de ciência empírica. Tal conhecimento pertence ao especialista, não ao generalista. Mas alguém não pode ser um ser um ser humano culto sem saber a história da ciência e sem ter algum conhecimento filosófico de ciência. Tornar-se um ser humano culto também envolve alguma compreensão da história da história e da filosofia, e algum entendimento da filosofia da história e da filosofia. Esta é uma razão pelas quais digo que a filosofia é negócio de todos.

 

Não é qualquer um que é chamado a ser advogado, médico, contador, ou engenheiro; por sua vez, não é qualquer um também que é chamado a se engajar em algum campo de pesquisa histórica ou pesquisa científica. Mas qualquer um é chamado a filosofar; indivíduos pensantes, saibam eles ou não, tem alguns traços de percepção ou análise filosófica em seus momentos de reflexão. Ser refletivo sobre a experiência de alguém ou sobre o que os seres humanos chamam de senso comum é ser filosófico sobre isto.

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Publicado em:  on Março 6, 2007 at 1:32 pm Comentários (1)

Idéias tem Conseqüências

 

Por Richard M.Weaver 

Tradução: Murilo Resende Ferreira

Introdução 

Este é mais um livro sobre o declínio do Ocidente. Tento aqui realizar duas coisas raramente encontradas na crescente literatura sobre o tema. Primeiramente, apresentarei um relato deste declínio baseado na dedução e não em analogias. Os pressupostos são a inteligibilidade do mundo e a liberdade humana e por isso considero que as conseqüências que estamos agora expiando são produtos não de uma necessidade biológica ou de qualquer outro tipo, mas sim de escolhas pouco inteligentes. Secundariamente, serei ousado o suficiente para propor, senão uma solução completa, pelo menos o começo de uma, pois acredito que um homem não deve permitir que um atestado de impotência moral seja o complemento de uma análise científica.

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Publicado em:  on Março 4, 2007 at 7:15 pm Comentários (3)

Educação Liberal

Palestra de Olavo de Carvalho
Rio de Janeiro, 18 de Outubro de 2001
Transcrição: Fernando Antônio de Araújo Carneiro
Revisão: Patrícia Carlos de Andrade

Sem revisão do professor 

Fonte: http://www.olavodecarvalho.org/palestras/2001educacaoliberal.htm#r4

Agradeço comovido as palavras do deputado Carlos Dias e da minha querida amiga Mina Seinfeld 1. E, aliás, essa é não somente uma oportunidade para ela falar a meu respeito, mas para contar também algumas coisas a respeito dela. A professora Mina está envolvida numa luta que é paralela à minha, onde encontra condições muito parecidas. Nós dois estamos envolvidos na luta contra as drogas, apenas a espécie de droga é que muda: sobre as drogas de que ela trata, ainda há a discussão de se serão liberadas ou não, ao passo que as drogas de que falo, não apenas estão liberadas, como são obrigatórias. A diferença é mais ou menos esta. Mas, neste esforço monumental e meritório da professora Mina, ela encontra a mesma resistência que encontro na minha área, porque todos estão contra: os drogados, os traficantes, os que têm interesse político na coisa, os indiferentes e todos aqueles que querem parecer bonzinhos – todos os politicamente corretos. E, de fato, quando você vai para um debate é exatamente como ela descreveu: são trinta pessoas para falar a favor e uma contra e depois, na transcrição, ainda cortam umas frases do que a pessoa falou e ficam lá somente três linhas, para provar que o debate foi bastante democrático. Isto é pior do que não ter debate nenhum, é uma falsificação.

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Publicado em:  on at 6:38 pm Deixe um comentário

Tradição e Inovação em Educação

Por Mortimer Adler

Tradução: David

Original em inglês em: http://radicalacademy.com/adlertraditionineducation.htm

Um problema mal colocado leva a falsas ou radicais soluções. É importante, então, corrigir a impressão de que o problema na educação americana hoje está em escolher entre a educação clássica ou a progressista. Ambos os nomes significam indesejáveis extremos que tem exagerado e distorcido alguns saudáveis elementos da política educacional. Classicismo designa o árido e vazio formalismo que dominou a educação no final do último século. Ele enfatizava o estudo dos clássicos por razões históricas ou filosóficas. Estava interessado no passado por causa do passado. Confundia exercícios com disciplina. Contra tal classicismo, a reação que aconteceu foi genuinamente motivada e sadia em princípio. Mas ela foi muito longe, e hoje nós temos um igualmente desafortunado extremo que, em suas múltiplas formas, é chamado de educação progressista. A educação progressiva se tornou tão ridícula quanto a educação clássica era árida. É tão ocupada com o estudo do mundo contemporâneo que esquece que a cultura humana tem raízes tradicionais. Substituiu informação por entendimento, e ciência por sabedoria. Confundiu licenciosidade com liberdade, pois é isso que a liberdade se torna quando não é acompanhada pela disciplina.Se reconhecermos que a divergência entre estes extremos é falsa, nós podemos evitá-lo procurando o meio-termo, pela formulação de um programa moderado que retorne a tudo que era vital no sistema de educação clássica e que também retenha tudo o que seja educacionalmente saudável no vigoroso pragmatismo do movimento progressista. Essa resolução pode ser alcançada pela combinação dos dois fatores, a tradição e a inovação, na correta proporção e ordem.
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Publicado em:  on at 2:35 pm Deixe um comentário