Capítulo 1 – O Sentimento não sentimental (Ideas Have Consequences, Richard Weaver).

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Capítulo 1 – O Sentimento não sentimental (Ideas Have Consequences, Richard Weaver). 

   

         Todo homem que participa de uma cultura têm três níveis de reflexão consciente: suas idéias específicas sobre as coisas, suas crenças gerais e convicções e seu sonho metafísico sobre o mundo.

 

O primeiro são os pensamentos que ele utiliza em sua vida cotidiana; eles dirigem sua organização dos assuntos imediatos e constituem portanto sua mundanidade.  É possível viver unicamente neste nível em períodos limitados, apesar de que a mundanidade pura deva inevitavelmente gerar desamornia e conflito.

 

Acima disto se encontra seu corpo de crenças, algumas das quais podem ser somente heranças, mas também outras que ele adquiriu através sua reflexão ordinária. Até as almas mais simples definem algumas concepções rudimentares sobre o mundo, as quais ele repetidamente utiliza assim que escolhas sejam necessárias. Mas este nível também depende de algo mais geral.

 

Acima de tudo está um sentimento intuitivo sobre a natureza imanente da realidade e é  esta sanção que valida em última instância as idéias e crenças. Sem o sonho metafísico é impossível pensar nos homens vivendo juntos harmoniosamente por algum período de tempo. O sonho carrega consigo um julgamento, que é que é o elo da comunhão espiritual.

 

Quando dizemos que a filosofia começa com o espanto, estamos afirmando na verdade que o sentimento é anterior a razão. Não focamos nossa razão sobre nada até que tenhamos sido atraídos por um interesse afetivo. Na vida cultural do homem, portanto, o fato de maior importância sobre qualquer um é sua atitude para com o mundo. Quão freqüentemente nos chamam a atenção para o fato de que nada de bom pode ser feito quando a intenção é errada! A razão não pode justificar a si mesma. Não por acaso o diabo já foi chamado de príncipe dos advogados, e também não por acidente são os vilões de Shakespeare excelentes no raciocínio. Se a intenção é errônea, a razão aumenta a malignidade, se está certa a razão organiza e faz avançar o bem.  Não temos autoridade alguma para argumentar sobre qualquer coisa de natureza política e social a não ser que tenhamos demonstrando por nossa volição primária que aprovamos alguns aspectos do mundo existente. A posição é arbitrária, no sentido de que aqui está uma proposição por trás de qual não existe nada anterior. Começamos nossas outras afirmações após uma declaração categórica de que a vida e o mundo devem ser valorizados.

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Publicado em: on Abril 2, 2007 at 1:07 pm Comentários (1)

Idéias tem Conseqüências

 

Por Richard M.Weaver 

Tradução: Murilo Resende Ferreira

Introdução 

Este é mais um livro sobre o declínio do Ocidente. Tento aqui realizar duas coisas raramente encontradas na crescente literatura sobre o tema. Primeiramente, apresentarei um relato deste declínio baseado na dedução e não em analogias. Os pressupostos são a inteligibilidade do mundo e a liberdade humana e por isso considero que as conseqüências que estamos agora expiando são produtos não de uma necessidade biológica ou de qualquer outro tipo, mas sim de escolhas pouco inteligentes. Secundariamente, serei ousado o suficiente para propor, senão uma solução completa, pelo menos o começo de uma, pois acredito que um homem não deve permitir que um atestado de impotência moral seja o complemento de uma análise científica.

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Publicado em: on Março 4, 2007 at 7:15 pm Comentários (3)